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Kayo Cêra: quando um jovem moçambicano ensina o Mundo a respeitar África

há 5 dias
3 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Artigo de opinião | Alexandre Jorge Mano

Há vitórias que se medem em pontos e há vitórias que se medem em dignidade. O 6.º lugar conquistado por Kayo Cêra na ROK Superfinal, em Lonato, Itália, pertence à segunda categoria. É um resultado histórico para o piloto, para o Automóvel e Touring Clube de Moçambique (ATCM) e para todos os moçambicanos que, longe dos holofotes, continuam a acreditar que o talento nacional não conhece fronteiras.

Convém olhar para os números com a frieza que o feito merece. Na classe Júnior, numa das maiores grelhas da história da ROK Superfinal, alinharam 58 pilotos vindos das escolas de karting mais exigentes do planeta. Apenas 36 garantiram lugar na final. Kayo Cêra, único representante de Moçambique, não só superou o crivo do apuramento como terminou entre os seis melhores, sagrando-se o melhor piloto africano da competição. Não se trata de sorte nem de circunstância. Trata-se de mérito, construído volta após volta, contra adversários com recursos, tradição e estruturas que o nosso País ainda está a edificar.



Um talento que não nasceu por acaso


Seria injusto reduzir este êxito ao volante. Por detrás de cada curva bem desenhada está uma equipa. A NBC Team merece reconhecimento público pela preparação técnica, pela disciplina competitiva e pela confiança depositada num jovem piloto moçambicano num palco onde a margem de erro se mede em milésimos de segundo. Merece-o igualmente a família de Kayo, cujo sacrifício silencioso é, quase sempre, o verdadeiro motor das carreiras desportivas em África.

E merece-o, de modo particular, o ATCM. Enquanto membro da FIA, o clube tem sabido manter Moçambique no mapa do desporto motorizado internacional, criando condições de enquadramento, filiação e representação sem as quais nenhum piloto nacional chegaria a uma grelha mundial. Este 6.º lugar é também a prova de que a aposta institucional na formação e na internacionalização produz frutos concretos.



Mais do que desporto: uma afirmação nacional


O resultado de Lonato tem um alcance que ultrapassa o karting. Num tempo em que Moçambique enfrenta desafios sérios, em matéria de segurança, de economia e de coesão social, figuras como Kayo Cêra oferecem à nossa juventude uma narrativa alternativa: a de que a excelência é possível, de que o trabalho rigoroso compensa e de que o nome de Moçambique pode ser pronunciado no estrangeiro com admiração e respeito.

Há, aqui, uma dimensão pan-africana que não deve ser ignorada. Durante décadas, o desporto motorizado foi encarado como território reservado às potências europeias. Quando um jovem africano termina à frente de dezenas de pilotos dessas escolas, demonstra ao Mundo aquilo que nós sempre soubemos: o problema de África nunca foi a falta de talento, mas a falta de oportunidade. Dê-se a oportunidade, e o talento responde.



O dever de não desperdiçar o momento


Os grandes resultados trazem também responsabilidades. Cabe ao Estado, ao sector privado e às instituições desportivas transformar este êxito num ponto de partida, e não num episódio isolado. Isso significa apoiar a progressão de Kayo para as categorias seguintes, investir em infra-estruturas de karting no País, criar programas de detecção de jovens talentos e mobilizar patrocinadores nacionais que compreendam o valor estratégico de associar a sua marca a uma história de sucesso moçambicana.

O desporto é, hoje, um instrumento legítimo de diplomacia e de projecção internacional. Cada bandeira moçambicana erguida num pódio mundial vale mais do que muitas campanhas de imagem.



Uma palavra final


Ao Kayo Cêra, uma palavra simples e sentida: obrigado. Obrigado por levar Moçambique a Lonato, por honrar as cores nacionais e por recordar a uma geração inteira que os sonhos grandes também se sonham em Maputo.

À NBC Team e ao ATCM, os parabéns devidos a quem trabalha com seriedade e visão.

O Top 6 mundial é apenas o começo. O País está a acompanhar, e está orgulhoso.


Autor: Alexandre Jorge Mano | Fonte: Facebook - Alexandre Jorge Mano

Divulgação: Departamento de Karting do ATCM

Artigo reproduzido integralmente, mantendo o conteúdo e a opinião do autor.

 
 
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